ODE AOS ENAMORADOS
- soraia132
- há 5 horas
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Não há registros de quando, exatamente, foi instituído o dia dos namorados. Porém sabe-se que a tradição remonta à Roma antiga e foi oficializada no século V, d.C. A data homenageia São Valentim, um padre romano do século III. De acordo com a lenda, o Imperador Cláudio II proibiu casamentos por acreditar que soldados solteiros lutavam melhor. Todavia, desrespeitando a ordem, para alegria dos jovens, o padre Valentim continuou celebrando casamentos em segredo. Revelada a trama, ele foi encarcerado e, depois, condenado à morte.
É por isso que, nos Estados Unidos, o dia se chama Valentine’s Day e é comemorado no dia 14 de fevereiro. Em nosso país, comemoramos no dia 12 de junho, desde 1949, por motivos puramente comerciais. Na época, o publicitário João Dória, pai do ex-governador de São Paulo, foi contratado para melhorar o tímido volume de vendas do mês de junho. A escolha recaiu sobre o dia 12, por ser véspera do dia de Santo Antônio, conhecido no Brasil como “santo casamenteiro”. O slogan da campanha era: Não é só com beijo que se prova o amor!
Contudo há sentimentos que parecem amor, embora só sejam sombra sobre a luz. A posse, por exemplo, é um cárcere dourado: parece cuidado, porém é apenas prisão. Quem ama não aprisiona, ao contrário, liberta. A neurociência lembra que o desejo de controle nasce do medo, mas medo não é amor. Amar é permitir a inteireza da pessoa amada, mesmo que ela queira caminhar em outra direção. O verdadeiro amor é como o vento que acaricia folhas, ele não exige permanência, ele apenas contempla e celebra o movimento.
Dependência emocional, não raro, confundida com amor, é apenas vício. Porém amor não é vício, é escolha! A dependência revela ansiedade e medo de abandono; o amor, ao contrário, é paz baseada na confiança, independentemente do distanciamento. Amar é saber que a distância não pode destruir relações; o amor não carece de grilhões, porque não é prisão. Assim também é o ciúme: exaltado como prova de afeto, é apenas vigia e insegurança. Ciúme é o medo de perder disfarçado de cuidado. Quem ama de verdade não vigia, apenas confia!
A paixão, por sua vez, é fogo intenso, que arde e consome. A ciência revela que ela é explosão química, prazer imediato, recompensa fugaz. O amor, porém, é chama serena que aquece lentamente, sem pressa de apagar. Confundir paixão com amor é crer que o calor inicial é suficiente para sustentar uma vida inteira. Entretanto, ela é apenas o prelúdio de uma sinfonia que precisa ser cultivada com paciência e entrega. Amar é entender a essência da pessoa amada; é amá-la como ela é; entender a realidade, sem exigir que ela se transforme.
Enfim, o verdadeiro amor não pode ser confundido com posse, dependência, ciúme, paixão, idealização ou apego. Amor é entrega sem cobrança, liberdade sem medo e confiança sem vigilância; é a escolha de estar juntos não por necessidade, mas por espontâneo querer. Então, neste Dia dos Namorados, celebremos não o encontro de dois corpos, mas sim a união de duas essências, que se respeitam e se engrandecem. O amor é a mais bela ode que toda a humanidade pode cantar, porque é nele que se encontra a eternidade do instante!
João Teodoro da Silva
Presidente - Sistema Cofeci-Creci
13/JUN/2026 (Neurocientista Comportamental)

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