O PODER ESTRATÉGICO DO SILENCIAR
Estoicismo é uma palavra pouco difundida de nosso vernáculo; todavia tem especial significado para a vida moderna. Trata-se de filosofia oriunda da Grécia antiga, que nos ajuda a aceitar o que não podemos controlar. Hoje em dia, a internet e os telefones celulares deram voz aos néscios e nefelibatas, que antes viviam recolhidos à própria inépcia. Este artigo baseia-se na Regra dos Três Silêncios, de Lamartine Posella, veiculada no YouTube. Não é caso de omissão ou fuga do debate; mas de se preservar para se pronunciar na hora certa. Nesse cenário, silêncio não é ausência; é densidade presencial, fomento à maturidade. A palavra dita fora de hora nos torna reféns da reação alheia. Quem se cala na hora certa não se torna menor; torna-se mais senhor de si, mais estratégico e, paradoxalmente, mais considerado quando decidir falar. O primeiro silêncio de Posella é o do crescimento, difícil para os aficionados pela internet. Estes tendem a antecipar suas ideias. Porém trabalhar em segredo preserva os ideais contra opiniões desmotivadoras e as invejas disfarçadas de conselho.
A semente cresce silenciosamente sob a terra; no tempo certo, o fruto aparece para todos. O segundo silêncio é o da raiva contra falsas insinuações. Este é o que mais desafia nosso autocontrole. Na raiva, a melhor resposta é o silêncio! A ira debilita nosso estado emocional, fazendo com que nossas palavras firam mais do que fisicamente, tornando difícil a reparação mediante pedido de desculpas. Não há se falar de covardia ou repressão ao sentimento, mas de inteligência emocional, que nos preserva de ser controlados pelo interlocutor. O terceiro silêncio é saber calar ao descobrir que foi detratado pelas costas. A reação instintiva seria confrontar, exigir explicações, “lavar” a honra publicamente. Contudo antes devemos perguntar: vale a pena responder e descer ao nível do detrator? Na maioria das vezes, não! Pois isso é exatamente o que ele quer: o nosso desequilíbrio e atenção. Seguir em frente, mantendo íntegra a nossa conduta demonstra muito mais força do que qualquer discurso de defesa. O tempo, aliado ao nosso comportamento, revelará quem realmente somos. Silenciar, todavia, não é absorver tudo sem reagir. Isso pode transformar a sabedoria em patologia. Tampouco temos de ser passivos diante de injustiças que exijam firmeza e coragem de posicionamento. De igual modo, não precisamos ser arrogantes, recusando-nos ao diálogo. O silêncio deve ser estratégico e temporário, uma ferramenta de discernimento, não de isolamento. Tem de ser usado para ignorar o que é irrelevante, não para evitar o embate. Temos de colocar limites claros contra a violação direta e contínua de nossos valores. Praticar o silêncio é um treinamento diário; às vezes, falhamos! No calor do debate, é comum respondermos com rispidez a um comentário maldoso; na empolgação, podemos antecipar informação que prejudique um projeto. Mas treinar é preciso! O importante é sempre praticarmos o silêncio consciente, perguntando antes de contestar: tem de ser respondido agora? Sou eu quem tem de responder? De que forma tem de ser dito? Se não houver respostas, experimentemos o silêncio! Nossa paz é mais importante do que eventual fugaz vitória! João Teodoro da Silva
Presidente – Sistema Cofeci-Creci - 12/SET/2026
(Neurocientista Comportamental)

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