• Silvia Celani

Nomes e datas que merecem ser lembrados

Você sabia que o quinto (20%) cobrado por Portugal era bem menor do que os 34,17% que pagamos em 2019? Neste artigo, João Teodoro, presidente do Sistema Cofeci Creci destaca grandes personagens que para o bem ou para o mal marcaram nossa história!



[04/2021] Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, ostentava esse apelido porque trabalhou como dentista prático (sem diploma). Todavia, ele foi como militar que fez carreira profissional no posto de alferes, equivalente ao atual de subtenente. Fazia parte da Cavalaria de Dragões Reais de Minas, que atuava no Brasil colônia sob a autoridade da Coroa lusitana. Nasceu na capitania de Minas Gerais, em 12 de setembro de 1746, e morreu em 21 de abril de 1792, enforcado e esquartejado, para que servisse de exemplo, como um dos líderes da Inconfidência Mineira.


Como militar, Tiradentes progrediu. Tornou-se proprietário de terras e escravos. Era respeitado e transitava bem entre as principais lideranças políticas e intelectuais da capitania de Minas que, à época, manifestavam grande insatisfação com a Coroa portuguesa, considerada arbitrária. O problema estava na cobrança do imposto sobre o ouro extraído de Minas, chamado de quinto, onde 20% do ouro extraído era levado pela Coroa. Na década de 1760 houve acentuada queda na produção desse minério. Inconformados, os portugueses passaram a exigir compensação pela perda.


O governador da capitania de Minas, Visconde de Barbacena, foi autorizado a cobrar um imposto compensação pela diferença do ouro não minerado, chamado derrama. Na falta de dinheiro, qualquer bem poderia ser confiscado. Começou então o movimento pela Inconfidência Mineira. Líder radical, Tiradentes planejou a morte do governador. O plano falhou! Esperando ter suas dívidas com a Coroa perdoadas, José Silvério dos Reis denunciou a conspiração. Tiradentes foi o único a admitir culpa. Acabou enforcado como mártir da Inconfidência e virou herói nacional.


Pedro Álvares Cabral, português, nasceu na cidade de Belmonte, entre 1467 e 1468. Não se sabe ao certo. Morreu em Santarém, em 1520. Era fidalgo: denominação que se dava a quem tinha alguma importância na Corte de Portugal, que significava filho de algo. Pertencente à família nobre, recebeu boa educação formal. Foi comandante militar, navegador e explorador. Em 1500, em expedição à Índia, em rota descoberta por Vasco da Gama, afastou-se dela e veio parar no Brasil. Ao percorrer a costa nordeste da América do Sul, reivindicou-a para Portugal.


Ao chegar por aqui, em 22 de abril de 1500, com uma frota de 13 navios, Cabral pensou tratar-se de uma ilha, à qual chamou de Vera Cruz. Ao explorar nosso litoral, percebeu que se tratava de um continente. Imediatamente, mandou um de seus navios para notificar o rei Manoel I. De acordo com o Tratado de Tordesilhas, uma linha imaginária de norte a sul do Brasil, terras descobertas fora da Europa foram divididas por Portugal ou Espanha. E como as do Brasil encontravam-se dentro do hemisfério português foram reivindicadas para Portugal.


A chegada dos portugueses marcou o início da colonização do Brasil. Mas a façanha de Cabral acabou ofuscada, por cerca de 300 anos, por causa de desavenças entre ele e seu rei. Sua reputação só foi reabilitada após a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. Nomes e datas que, para o bem ou para o mal, marcam nossa história. A triste verdade: o quinto (20%) cobrado por Portugal era bem menor do que os 34,17% que pagamos em 2019. Sobre João Teodoro:

Nascido na cidade de Sertanópolis, no Estado do Paraná, João Teodoro da Silva iniciou a carreira de corretor de imóveis em 1972. Ele é empresário no mercado da construção civil em Curitiba (PR). Graduado em Direito e Ciências Matemáticas, foi professor de Matemática, Física e Desenho na PUC/PR. É técnico em Edificações e em Processamento de Dados e possui diversos cursos de extensão universitária pela Fundação Getúlio Vargas. Foi presidente do Creci-PR por três mandatos consecutivos, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná de 1984 a 1986 e diretor da Federação do Comércio do Paraná. No Cofeci, atua desde 1991, quando passou a exercer o cargo de conselheiro federal, e é presidente desde 2000.