Como a taxa Selic afeta a economia e o mercado imobiliário
João Teodoro, presidente do Sistema Cofeci-Creci, apresenta um histórico e informações sobre este instrumento de controle da inflação e a preocupação com os efeitos sobre o financiamento de imóveis!

Selic é um acrônimo (ou sigla) que sintetiza Sistema Especial de Liquidação e Custódia. O sistema, no caso, possibilita às instituições financeiras comprarem e venderem títulos do Tesouro Nacional. A Selic é a taxa percentual de juros que o governo paga para quem compra seus títulos. Se alguém compra Títulos do Tesouro, na prática, está emprestando dinheiro ao governo. Ao emprestar dinheiro de alguém, o governo assume dívida que, algum dia, será paga com a taxa de juros definida pela Selic. A soma desses empréstimos é a nossa dívida pública.
É por isso que, quanto mais alta é a Selic, mais juros o governo tem de pagar por sua dívida. Obvio, com o dinheiro arrecadado em tributos, que nós pagamos. Trata-se de círculo vicioso: se compramos Títulos públicos, recebemos altos juros (Selic) que, na verdade, nós mesmos pagamos por meio dos impostos. A taxa Selic é decidida pelo Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central que, para isso, se reúne a cada 45 dias. A definição da Selic baseia-se em vários indicadores econômicos, porém o que mais a influencia é a taxa de inflação.
A elevação inflacionária, por sua vez, é provocada por vários fatores, como o aumento descontrolado do consumo e dos preços. Porém os principais são a emissão de moeda e de Títulos públicos para cobrir despesas do governo, inclusive o prejuízo de empresas estatais e rombos, como o dos aposentados do INSS. Quando a inflação sobe desordenadamente, a ferramenta mais imediata
de que o Banco Central dispõe para tentar controlá-la é o aumento da taxa básica de juros. Ou seja,
da Selic. Mas seus efeitos na economia podem ser catastróficos.
A Selic serve como indicador referencial para as taxas de juros de todas as operações financeiras no país. Não é diferente com o mercado imobiliário, que sofre com seus reflexos. Depois de chegar a 2% em fevereiro de 2021, a Selic está hoje em 14,75%, o que eleva a taxa de juros para financiamentos pelo SBPE de 11% a 12%. Embora essa circunstância não fuja muito dos padrões do Brasil, ela pode afastar, ainda que temporariamente, potenciais compradores de classe média, pela diminuição da capacidade de comprometimento de renda.
A Selic vem aumentando progressivamente desde o histórico 2%, no início de 2021, quando terminou o ano em 9,25%. No ano de 2022, fechou em 13,75%. Em 2023, a taxa refluiu para 11,75%, caindo até 10,50% em julho de 2024. Desde então, recomeçou a crescer até chegarmos aos 14,75% de hoje. Sendo assim, verifica-se um processo de acomodação na mente dos brasileiros. De modo que um ou dois por cento a mais ou a menos passa quase que despercebido. Talvez por isso o mercado imobiliário brasileiro tem-se mostrado tão resiliente.
No entanto estudo do Instituto Cidades Responsáveis, publicado por Rodrigo Rocha, afirma que, quem comprou imóvel na planta para financiar parte dele depois de pronto, corre sério risco de rescisão contratual. Segundo Rocha, a prestação mensal de um mesmo financiamento, em meados de 2021 (Selic a 5,5%), saltaria de R$ 3.966,00 para R$ 5.425,00 nos dias de hoje; a renda necessária subiria de R$ 13.220,00 para R$ 18.086,00. Apesar do longo intervalo considerado (4 anos) e da desconsideração da inflação do período, é preocupante!

Sobre João Teodoro: Com atuação no mercado imobiliário como Corretor de Imóveis desde 1972, João Teodoro é formado em Gestão de Negócios Imobiliários, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, além de ser advogado civil e trabalhista. Foi fundador e diretor das empresas Teodoro Imóveis Ltda e da Brooklin Construções e Empreendimentos Ltda. Teve a oportunidade de ser presidente do Sindimóveis/PR por três anos e do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI/PR) durante três gestões, totalizando 9 anos à frente desta instituição. Atualmente, é o presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI).

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Excelente artigo sobre a taxa Selic e seu impacto no mercado imobiliário! A análise histórica da evolução da taxa desde 2021 até os atuais 14,75% é muito esclarecedora. Para quem busca entender melhor como os juros afetam o financiamento imobiliário, cookie clicker unblocked oferece recursos interessantes.
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Que análise esclarecedora! O ponto sobre o círculo vicioso da dívida pública me fez pensar em como tudo na economia acaba se conectando — inclusive as pequenas ferramentas que usamos no dia a dia. Nessa linha, descobri recentemente um site de teste de mouse scroll test que me ajudou a diagnosticar um problema no meu mouse de forma rápida, sem precisar instalar nada. É curioso como, assim como a Selic influencia cada financiamento imobiliário, um simples detalhe técnico pode afetar nossa produtividade diária.