Causas e efeitos da inflação

Neste segundo artigo, o presidente do Sistema Cofeci Creci, João Teodoro, mostra porque o país atravessa a crise atual e conclui: a verdadeira causa da inflação está na expansão da base monetária sem a correspondente produção!



[10/2021] Depois do artigo “Desvendando a Inflação”, divulgado há três semanas, além de uma entrevista jornalística, alguns colegas pedem para discorrer mais sobre o tema que, neste momento, repercute não só no Brasil, mas em todo o mundo. O pedido, porém, recai sobre as causas e efeitos do fenômeno. No texto anterior, discorri basicamente sobre a expansão monetária, a principal causadora de inflação. Entretanto, há outras causas que podem produzi-la, pontual ou setorialmente, às vezes apenas por efeito psicológico.


A primeira, e mais importante delas, é o excesso de gastos públicos. Quando o governo gasta mais do que arrecada, sua única saída é “imprimir” mais dinheiro, seja de forma literal ou por meio da venda de títulos públicos. O volume de dinheiro em circulação passa a ser maior do que a oferta de bens e serviços produzidos. Com mais moeda disponível, é natural que esses bens passem a custar mais. Esta, sem dúvida, é a causa real da inflação, provocada pela expansão da base monetária. Explicamos isto no artigo “Desvendando a Inflação”.


A segunda causa é conhecida como inflação inercial. Inércia significa sem movimento, parado. Todavia, quando um corpo inerte recebe impulso de uma força externa, ele entra em movimento. Assim acontece com os preços. Se alguém comercializa um produto ou serviço por determinado valor, estável, mas há desconfiança (força externa) de que haverá inflação, essa expectativa faz com que seus preços se elevem. Pelo mesmo motivo, empregados passam a reivindicar maiores salários, e assim por diante.


Uma outra causa, muito conhecida no Brasil, é a indexação da economia. Os preços são reajustados em função da inflação registrada em determinado período anterior (dia, semana, mês, ano). O fenômeno atinge tudo: produtos, serviços, salários, aluguéis. O interessante é que esse tipo de problema não é efeito da expansão monetária, mas sim sua causa. O governo se obriga, literalmente, a imprimir dinheiro para cobrir a expectativa inflacionária. A moeda fica tão desvalorizada que passa a ser desprezada pela população.


Alto custo de produção também é motivo para aumento da inflação. Pode ser causado por excesso de tributação, juros altos ou escassez de insumos, que obrigam as empresas a buscar empréstimos bancários. Aumento do custo de produção provoca elevação no preço dos produtos. Outra causa inflacionária é a formação de cartéis objetivando aumento de lucros. Um grupo de empresários combina preço único ou parecido para seus produtos. Acontece com frequência nos chamados oligopólios: poucas empresas produzindo um mesmo produto.


Finalmente, a capacidade de produção subtilizada também pode causar inflação. As empresas produzem menos do que podem, a fim de reduzir a demanda e, com isso, elevar o preço de seus produtos. A maioria dessas causas, entretanto, não provoca distorção permanente nem de caráter geral. São processos pontuais ou setoriais. A verdadeira causa da inflação é, sim, a expansão da base monetária sem a correspondente produção, como aconteceu no combate aos efeitos da pandemia do corona vírus.




Sobre João Teodoro: Nascido na cidade de Sertanópolis, no Estado do Paraná, João Teodoro da Silva iniciou a carreira de corretor de imóveis em 1972. Ele é empresário no mercado da construção civil em Curitiba (PR). Graduado em Direito e Ciências Matemáticas, foi professor de Matemática, Física e Desenho na PUC/PR. É técnico em Edificações e em Processamento de Dados e possui diversos cursos de extensão universitária pela Fundação Getúlio Vargas. Foi presidente do Creci-PR por três mandatos consecutivos, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná de 1984 a 1986 e diretor da Federação do Comércio do Paraná. No Cofeci, atua desde 1991, quando passou a exercer o cargo de conselheiro federal, e é presidente desde 2000.