A jornada híbrida e suas consequências para o mercado corporativo

Neste artigo, o presidente do Sistema Cofeci Creci, João Teodoro, fala sobre os aspectos positivos e negativos do home office e como esta modalidade afeta a comercialização de imóveis!


A dúvida que tem intrigado empregados e o empresariado nacional e internacional é o que acontecerá, depois de passada a crise do Coronavirus, como consequência do trabalho remoto. De fato, o isolamento social decretado em todo o Brasil, em 14 de março de 2020, logo em seguida da declaração do estado de pandemia pela OMS, provocou a retirada total dos empregados do local de trabalho e a consequente paralisação da economia. A nova realidade, entretanto, daria lugar a um novo formato de trabalho: o home office.


Nossos políticos e empresários logo perceberam que, além de impossível, pelo desabastecimento que provocaria nos grandes centros urbanos, a paralisação total da economia representaria a falência do país. Algo precisava ser feito. Setores da economia considerados essenciais, como transporte, abastecimento, alimentação e indústria (inclusive a imobiliária) teriam de continuar funcionando. Mas como fazê-lo sem as atividades administrativas de apoio e controle? Os escritórios precisavam voltar a funcionar.


Porém o risco de contração do vírus continuava imanente. O distanciamento social era imperativo. A solução seria fazer com que parte dos empregados trabalhasse em casa. Mas no país do “jeitinho”, baseado no brocardo popular de que “o olho do dono é que engorda o boi”, poucos empresários acreditavam na efetividade do trabalho remoto, longe dos olhos do chefe. Todavia, sem alternativas, tiveram de aceitá-lo. A experiência mostrou-se surpreendente. A produtividade do home office, em muitos casos, era bem maior que a do trabalho presencial.


O trabalho remoto tem o condão de oferecer maior liberdade. Os trabalhadores podem organizar suas próprias rotinas e satisfazer melhor suas necessidades pessoais. Há pessoas que fumam, mas não podem fazê-lo no escritório coletivo. Outras têm o hábito de demorar no toalete. Há ainda quem goste de trabalhar ao som de música, o que pode atrapalhar quem não goste. Enfim, o trabalho em casa permite a personalização do modus vivendi durante o expediente. Isso, ao contrário de prejudicar, pode aumentar muito a produtividade.


O home office, entretanto, não é para todos. Estudos no Brasil afirmam que apenas cerca de 23% dos nossos trabalhadores, em média, podem realizar satisfatoriamente o trabalho a distância. Esse percentual é maior nas regiões leste, sul e sudeste, e menor nas regiões norte e nordeste. Depende das características de cada atividade, bem como do grau de avanço no uso da tecnologia, na região e na empresa.


Considerando o percentual potencial para o trabalho em casa, não há como ignorar a importância dos escritórios presenciais. Eles ainda mantêm o condão de promover colaboração, inovação e criatividade, assim como de atrair e reter talentos. Por outro lado, a atividade remota veio para ficar, ainda que em percentual limitado. Hoje, inclusive, já se tem muito claro sua dinâmica híbrida. A boa produtividade exige uma mescla de trabalho remoto com presencial, a fim de promover a interação dos empregados. A boa notícia é que os escritórios físicos continuarão sendo alugados ou comercializados, para o bem da economia e do mercado imobiliário.


Sobre João Teodoro:


Nascido na cidade de Sertanópolis, no Estado do Paraná, João Teodoro da Silva iniciou a carreira de corretor de imóveis em 1972. Ele é empresário no mercado da construção civil em Curitiba (PR). Graduado em Direito e Ciências Matemáticas, foi professor de Matemática, Física e Desenho na PUC/PR. É técnico em Edificações e em Processamento de Dados e possui diversos cursos de extensão universitária pela Fundação Getúlio Vargas. Foi presidente do Creci-PR por três mandatos consecutivos, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná de 1984 a 1986 e diretor da Federação do Comércio do Paraná. No Cofeci, atua desde 1991, quando passou a exercer o cargo de conselheiro federal, e é presidente desde 2000.