A gula das unicórnios e seus riscos

Atualizado: 10 de jan.

João Teodoro, presidente do Sistema Cofeci Creci, destaca os riscos das startups do mercado imobiliário e apresenta a melhor solução: adesão em massa ao CRECI BRASIL, desenvolvido pelo CRECISP para todos os Corretores de Imóveis!



[01/2022] Unicórnio é uma criatura mitológica. Sendo mito, não existe se não no imaginário das pessoas. Segundo a mitologia, é muito rara. Daí sua associação com as startups. Estas, por sua vez, são empresas emergentes (recém-criadas) que têm por objetivo desenvolver ou aprimorar um modelo de negócio, de preferência que seja escalável (que possa evoluir em escala), disruptivo (inovador, único) e repetível (que pode ser repetido). Geralmente são organizações que funcionam tendo como base a tecnologia, mas não necessariamente.


As unicórnios, no entanto, já não são tão raras. O Brasil já contabilizava 16 delas em dezembro de 2021. As doze mais expressivos são: Nubank, iFood, 99 taxi, Gympass, Loft, Vtex, Ebanx, Wildlife, Loggi, Creditas, MadeiraMadeira e a Quinto Andar. Todas têm valor de mercado (número de ações disponíveis x valor aceito de cada ação) igual ou superior a um bilhão de dólares. Algumas delas levam anos para oferecer resultado financeiro. Todavia seu crescimento e aceitação pelo mercado atraem muitos investidores, o que valoriza suas ações.


No mercado imobiliário, as mais notáveis são a Loft e a Quinto Andar. A Loft tornou-se unicórnio com apenas dois anos de fundação. Seu foco inicial era comprar, reformar e revender imóveis, com uso intenso da tecnologia. Depois, criou uma plataforma de marketplace. Passou a ser então uma imobiliária virtual. A Quinto Andar começou com intermediação de negócios, mas logo migrou para os alugueres. Criou uma plataforma para desburocratizar e reduzir custos operacionais, que, em tese, possibilita grande agilidade e segurança.


O que isso tem a ver com o mercado imobiliário tradicional? Startups não crescem por acaso. Elas fundamentam toda sua ação no uso intenso da tecnologia e conseguem provar para o mercado que são ágeis e seguras. Portanto o caminho parece óbvio: ou aderimos à tecnologia ou seremos engolidos! Mas “botar o ovo” não basta. É preciso “cacarejar”! Pregar ao mundo que somos profissionais qualificados, tecnológicos, seguros e éticos. Startups, em regra, só se preocupam em dar retorno financeiro aos investidores. Nós, acima de tudo, somos éticos!


O Zap tentou absorver anúncios diretos e desestimular a contratação de Corretores. Agora, porém, a Quinto Andar adquiriu o Grupo Navent, que controla alguns dos maiores portais de imóveis em seis países da América Latina. No Brasil, é dono das plataformas Imóvelweb, Wimóveis e Union Software. Ao contrário do Zap, a Quinto Andar é nossa concorrente direta! Controlando esses portais, ela terá acesso a muitas informações privilegiadas. Com elas, poderá ganhar mais mercado e absorver nossos possíveis clientes. Temos de reagir!


O CEO da Quinto Andar, Gabriel Braga, em entrevista à Exame Invest, afirmou: “Isso passa por trazer as imobiliárias para o nosso ecossistema...”. Vale dizer, ter acesso a todos os anúncios e, assim, dispor de todos os leads e outros dados das imobiliárias. Concorrência desleal com lastro em dinheiro de investidores que só se preocupam com lucro. A solução é boicotar. Para isso, já temos o Portal CRECI BRASIL, exclusivo, desenvolvido pelo CRECISP para todos nós. É grátis! É só entrar no site do CRECISP, inscrever-se e começar a usar!

Sobre João Teodoro: Nascido na cidade de Sertanópolis, no Estado do Paraná, João Teodoro da Silva iniciou a carreira de corretor de imóveis em 1972. Ele é empresário no mercado da construção civil em Curitiba (PR). Graduado em Direito e Ciências Matemáticas, foi professor de Matemática, Física e Desenho na PUC/PR. É técnico em Edificações e em Processamento de Dados e possui diversos cursos de extensão universitária pela Fundação Getúlio Vargas. Foi presidente do Creci-PR por três mandatos consecutivos, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná de 1984 a 1986 e diretor da Federação do Comércio do Paraná. No Cofeci, atua desde 1991, quando passou a exercer o cargo de conselheiro federal, e é presidente desde 2000.