Mercado Imobiliário

Morar perto do emprego é uma tendência crescente

A necessidade de ganhar tempo em cidades onde ações públicas não acompanham a velocidade da expansão urbana, a falta de transportes públicos de qualidade e em quantidade suficiente para um deslocamento ágil, com segurança e conforto, e principalmente a preservação da qualidade de vida estão mudando o perfil de ocupação dos grandes centros, com as pessoas optando por morar o mais próximo possível de seu trabalho.


As empresas construtoras já apostam em lançamentos que contemplem o perfil da população local e focam em regiões com crescimento econômico acentuado, como a Pampulha e o entorno da Linha Verde.

A Incorporadora PDG lançou, durante o Feirão da Casa Própria da Caixa, quatro condomínios no Bairro São Luiz, Região de Venda Nova. São conjuntos de torres que compõem o Novo Venda Nova, área de expansão urbanística entre Venda Nova e Ribeirão das Neves.

Fernando Utsch, diretor de Novos Negócios e Incorporação da PDG, esclarece que há grande carência de imóveis nessa área. A empresa prevê grande volume de mão de obra, com a inauguração em breve de um grande shopping na Estação Vilarinho, além de enorme demanda na região da Ceasa, cuja ligação com a Linha Verde passa pelas avenidas Civilização e Padre Pedro Pinto.

De acordo com Utsch, a empresa, por meio de pesquisa de mercado, mapeou as imediações da Cidade Administrativa e percebeu que a maioria dos servidores que resolveram morar naquela região só encontravam imóveis em Pedro Leopoldo. “Não havia grandes empreendimentos nas áreas próximas e existe uma enorme carência de apartamentos de dois quartos. Por isso, lançamos o empreendimento, que atende nas diretrizes do programa Minha casa, minha vida.” Ao contrário dos grandes conjuntos, o Nova Venda Nova é dividido em pequenas quadras, formando condomínios.

De acordo com o empresário, 75% dos empreendimentos estão voltados para imóveis de dois quartos e 25% para os de três. Os que foram lançados no Bairro Santa Clara, em Vespasiano, a poucos metros da Cidade Administrativa, e divisa com Santa Luzia, tiveram seus 500 apartamentos vendidos em 30 dias.

PERFIL

O empreendimento Alto do Engenho, na Região da Pampulha, é destinado a compradores de alto padrão. Segundo o gerente de Vendas e Empreendimentos da Incorporadora Habitare, Leonardo Almeida, pode-se observar uma intensa procura por parte de executivos de grandes empresas próximas, como a Usiminas, e de professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Leonardo conta que essa tendência tem sido percebida nos últimos anos, principalmente pelas dificuldades de acessibilidade em Belo Horizonte, o que torna quase obrigatório morar perto do trabalho.

Já a Incorporadora Mobyra lança em Betim um empreendimento destinado à classe B. São 10 prédios com 16 apartamentos e quatro unidades por andar, com área de 82,5 metros quadrados. O Bosque Club Condomínio já prevê facilidades para circulação de veículos. Ele estará próximo ao Centro da cidade, em um vetor com previsão de grande valorização.

De acordo com o diretor da Mobyra, Rodrigo Guaracy, a região conta com muitas indústrias de portes como o da Fiat e da Petrobras. Quem exerce cargos de liderança da área operacional tem renda acima do estipulado pelo Minha casa, minha vida e não encontra empreendimentos desse porte e qualidade para morar na região, e por isso se desloca diariamente para Belo Horizonte. A proposta da empresa é oferecer imóvel com o perfil de morador condizente com a renda.

Do centro para o campo
As pessoas não estão pensando duas vezes quando se trata de melhorar ou preservar a qualidade de vida, abrindo mão de bairros nobres

Buscando conciliar trabalho com qualidade de vida, a fisioterapeuta Ana Beatriz Pinheiro decidiu mudar-se de vez de uma das ruas mais movimentadas do Bairro Santo Antônio, Zona Sul de Belo Horizonte, para a tranquilidade entre as matas e cachoeiras de São Sebastião das Águas Claras (Macacos), em Nova Lima.

Com ela, levou a ideia de montar um spa/hotel encravado nas verdes montanhas do distrito. O projeto vinha sendo traçado desde 2005, quando ela começou a estudar locais em Minas que pudessem abrigar a proposta. Em meados de 2006 nascia o Espaço Águas Claras Spa e Hotel. Ana Beatriz alugou uma casa próxima ao empreendimento e acompanhou de perto as obras. Nesse tempo, ainda trabalhava em Belo Horizonte, em atendimentos hospitalares, e vinha à capital diariamente.

Segundo a fisioterapeuta, nada substitui os ganhos que teve em qualidade de vida. “Tem dias que venho a pé para o trabalho. É gratificante sair do emprego às 18h, chegar em casa em 10 minutos e aproveitar o silêncio do entardecer.” Segundo ela, mesmo se a vida em Macacos ficar monótona, há grande agitação nos fins de semana.

O aluguel da casa foi para um período de adaptação. A ideia prosperou tanto que Ana e o marido já compraram um terreno, onde estão construindo o lar definitivo. O spa hotel ocupa área de 20 mil metros quadrados de terreno, com 2.400m de área construída, cercada por área preservada de mata de 10 mil m².

A servidora pública do estado Luciana Meirelles também decidiu trocar o conforto do apartamento próprio, no Bairro de Lourdes, por um alugado no Planalto, próximo à Avenida Cristiano Machado. Ela trabalha na Cidade Administrativa, mas já trabalhou pertinho de casa, em Lourdes.

De acordo com a servidora, depois da mudança da secretaria em que trabalha, o deslocamento começou a pesar. “Houve dias em que gastei uma hora e 40 minutos entre minha casa e meu trabalho. Então, resolvi experimentar morar mais próximo, e hoje gasto em torno de 10 minutos da minha residência à Cidade Administrativa.”

ALUGUEL

Marcos Rodrigues cansou de atravessar a cidade para chegar ao trabalho. Morador do Barreiro, está empregado no Bairro Renascença. A opção de alugar seu imóvel e ir morar de aluguel perto do trabalho rendeu frutos, segundo ele. “Economizo com passagem e comida, já que posso almoçar em casa e não sofro mais o estresse de atravessar a cidade de ônibus, com trânsito engarrafado e, por diversas vezes, chegando atrasado ao trabalho.”

Morar no Centro é opção de Maria das Dores Silveira. Professora de escola particular, mudou-se do Eldorado para pertinho do colégio onde leciona. “Estou a quatro quarteirões do meu trabalho e isso foi muito bom. Não tenho carro nem dirijo e depender de transporte coletivo em Belo Horizonte envelhece a gente mais rápido”, brinca.

As facilidades de morar e trabalhar num mesmo bairro têm levado os empreendedores imobiliários a repensarem os projetos. Muitos pesquisam o perfil de empresas para lançar o tipo de imóvel ideal para os profissionais da região. Com isso, definem o status das moradias conforme a renda e a disponibilidade da mão de obra local.

 

Fonte: http://www.clippingimoveis.com.br/2012/05/morar-perto-do-emprego-e-uma-tendencia.html

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