Mercado Imobiliário

Setor imobiliário ganha força e mais negócios

setor_ganha_forcaNão são poucos os cidadãos fortalezenses e até do Interior do Estado, um pouco mais desinformados, que pensam ser Messejana um município agregado à Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e não um bairro da periferia da Cidade. Porém, essa confusão é justificável por conta do tamanho do grau de autonomia que Messejana ganhou, especialmente, nos últimos anos. E isso repercute no setor imobiliário.

Pela primeira vez, o bairro figurou no ranking entre os seis principais locais da Capital onde houve mais fluxo de negócios no segmento de imóveis, nos últimos 12 meses, com R$ 151 milhões movimentados. Os dados foram divulgados em abril último pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação do Ceará (Secovi-CE), e revelam um aquecimento que vem se expandido do Centro para as extremidades de Fortaleza. E isso está ocorrendo com outros bairros também, onde a valorização dos imóveis tem chegado a patamares históricos. É a especulação imobiliária "explodindo" na periferia.

"Novo Centro"

Segundo o presidente do Secovi-CE, Sérgio Porto, o fenômeno do "espraiamento" ocorre por conta de o surgimento do que ele chama de centralidades urbanas. O raciocínio é simples. O avanço da cidade se dá pela periferia, onde, antes, era caracterizado pelo caráter dormitório, exclusivamente. Só que, agora, as pessoas estão vivendo e também trabalhando nessas áreas. Esse fluxo passa a gerar ainda mais demandas por outros comércios, bancos, supermercados, escolas, clínicas médicas, infraestrutura viária e saneamento básico.

Em resumo, o bairro passa a ser considerado um "Novo Centro", pelo menos para as famílias que residem nas proximidades. Isso só tende a valorizar o preço dos imóveis. No ponto de vista do especialista, é um modelo positivo, que acaba por gerar mais renda, arrecadação de impostos e oportunidades de trabalho, além do aparecimento de outros serviços relacionados, inclusive, às cadeias imobiliária e da construção civil. "É o que a gente pode denominar de ciclo virtuoso, que se realimenta o tempo todo e acarreta melhorias". Segundo ele, outro fator positivo é que a especulação deve ser estagnada com o tempo. "Há um momento que vai chegar no estrangulamento", diz.

Renda e crédito

O crescimento do subúrbio tem dois importantes aliados para se manter em ebulição: ampliação do crédito e da renda familiar. "Não acho que o mercado imobiliário sozinho, no primeiro momento, seja o indutor. Acredito que é uma consequência do aumento da renda e da expansão do crédito. Os indutores, na verdade, são o governo, que realiza melhoramentos nesses lugares, e o próprio mercado. É a extensão da cadeia que é a locomotiva", fala, destacando que, antigamente, o cliente da classe A ou B tinha de pagar um imóvel em três anos, e que, nos dias atuais, é possível quitá-lo em 30 anos. "Isso trouxe novos consumidores, com perfil diferente, e junto com eles um desejo: o de morar próximo dos pais", aponta Sérgio. (ISJ)

CONSTRUÇÃO

Verticalização dos bairros desenha novo cenário

A verticalização da periferia de Fortaleza é uma realidade. As novas gerações começam a ganhar melhor e deixam de morar com os pais, nos "puxadinhos" ou quartos extras construídos na casa em que foram criados para procurar uma residência alugada ou própria. Neste caso, em particular, impulsionadas por um cenário de maior facilidade de financiamento, com prazos mais longos e maior quantidade de parcelas.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, o surgimento dos prédios é uma tendência nesses bairros. "Eu mesmo construi o primeiro prédio de quatro andares da Maraponga, em 2007. Hoje, se você for lá, vai se deparar com 10 lançamentos desses", revela.

Para André, existe aí uma via de mão dupla, tanto o crescimento da população ajuda a trazer mais pontos comerciais e serviços, como, também, a recíproca é verdadeira. "Um empreendimento ao chegar em um bairro acaba valorizando o local e trazendo consigo novos negócios e moradores. Foi o que aconteceu na Maraponga com o Carrefour", exemplifica.

 

 

fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=992170

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