Mercado Imobiliário

Brasil e a América capturada

Os EUA localizaram e liquidaram Osama bin Laden. Mas o país mais poderoso do mundo segue capturado pela maior crise econômica desde a década de 1930.

No início deste ano, os sinais eram animadores nos EUA. Consumo e produção estavam em recuperação, apesar do desemprego elevado.

Agora, sabe-se que o coração da crise americana ainda bate fraco, quase precisando voltar à UTI.

A origem da crise nos EUA está no mercado imobiliário. Os bancos emprestaram tanto e a tantos que os preços dos imóveis foram para o espaço (qualquer semelhança com o Brasil, em outra escala, não é mera coincidência).

Em um determinado momento, em meados de 2008, a "bolha" imobiliária e de financiamentos nos EUA estourou e os preços das casas começaram a despencar. Assim como a riqueza das famílias. Elas costumam levantar empréstimos dando seus imóveis como garantia.

Hoje, quase 30% dos mutuários americanos devem mais do que valem suas casas. E os preços dos imóveis caíram mais 8,2% nos últimos 12 meses (3% só no primeiro trimestre).

Endividados, com prestações elevadas e temendo o desemprego, os americanos não tiveram outra alternativa a não ser poupar.

A dívida desse pessoal ainda é gigantesca: US$ 11,5 trilhões (mais de cinco PIBs brasileiros). Mas, desde o início da Grande Recessão de 2008, as famílias conseguiram se livrar de US$ 1 trilhão em dívidas.

É essa combinação de preços das casas em queda e aumento da poupança das famílias que está empacando a recuperação dos EUA, onde dois terços do PIB são gerados pelo consumo das famílias.

O Fed (o BC americano) vinha praticamente jogando dinheiro pela janela via empréstimos a bancos e empresas para tentar recuperar o país. Outro programa concedeu incentivos tributários de US$ 8.000 para quem quisesse comprar seu primeiro imóvel.

Essas "bóias" funcionaram por um tempo, antecipando a demanda futura. Agora a economia rateia de novo.

O Brasil não são os EUA. Mas já furamos o teto da meta de inflação do BC (6,5%) muito por conta de uma expansão do crédito ao consumo três vezes maior do que a dos financiamentos ao setor produtivo.

No mercado imobiliário, já há exemplos bizarros de preços inflados. E muita gente financiando mais de 70% do valor de casas e apartamentos.

A crise americana deveria servir de alerta. Quando ela vem, a ressaca do crédito é pesada.

 

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernandocanzian/913288-brasil-e-a-america-capturada.shtml

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