Mercado imobiliário se mantém aquecido

Mercado ImobiliárioHá oito anos um terreno no Jardim Albuquerque, em Campo Mourão, saia por no máximo R$ 8 mil. Hoje, não se encontra por menos de R$ 80 mil. Os números apontam que quem apostou nos imóveis teve um rendimento de 1 000 %. Nesse mesmo período, se o dinheiro tivesse ficado na poupança, teria rendido 88%. A valorização nos imóveis tem se refletido na escassez de ofertas para locação.

 

O agente imobiliário Diógenes Oscar Martins Klein explicou que hoje Campo Mourão não tem imóvel para locação que atenda aos requisitos de quem procura a imobiliária onde atende. “O pessoal quer aquilo que se encaixe no salário, mas as altas no salário não acompanharam a subida do índice que rege o mercado”, afirma. O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM), que em 2009 chegou a ficar negativo hoje regista 11,3% de alta. “Qual salário que subiu 10%?”, questiona o agente.

Em relação ao indicador usado como referência na maioria dos contratos de aluguel – Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) –, a alta de preços superou o acumulado do índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que encerrou 2010 com alta expressiva de 11,32%, a maior taxa desde 2004 (12,41%).

Isso equivale a dizer que se o locatário pagava R$ 1 mil, e teve reajuste em abril, o valor pode ir para R$ 1.113,00. A diferença entre a inflação no período e o aumento médio do aluguel deve-se a lei da oferta e da procura. O aumento do preço do residencial, por exemplo, é explicado pela queda nos imóveis disponíveis para locação. Ruim para quem quer alugar, mas bom para os proprietários.

Mas além do aumento do valor pago, outro problema na cidade é que a área central ainda é muito procurada. Essa exigência responde por pelo menos 80% do movimento nas imobiliárias. “Eles querem uma casa, no centro, por um preço impossível. Fora dos bairros, o que a gente encontra mais são apartamentos pequenos. Dessa forma não é fácil conseguir o imóvel que eles procuram”, diz.

Klein explicou que somente quando se convencem de que as expectativas de encontrar uma casa boa, bonita e barata não irão se concretizar é que aceitam procurar um imóvel nos bairros. “Gradualmente isso leva a uma valorização das áreas mais afastadas. Se bem que em menos de 10 anos a valorização foi bem maior do que se esperava”, acrescenta.

O funcionário público Alexandre Ishii foi transferido para Campo Mourão e precisou encontrar um imóvel para locação. Encontrar o local ideal é que foi o problema. “Imóvel até que tinha alguns, mas não era o que eu gostaria e não digo de luxo. Somente uma casa com segurança e bem cuidada”, diz.

Os planos de Ishii eram fazer a sua mudança há aproximadamente 30 dias, mas como não encontrava onde morar teve de aguardar. Inicialmente, ele procurava por algo na área central. “Como não tinha nada, acabei mudando para o Araucária. Foi complicado encontrar uma casa, mas valeu a pena esperar por essa”, diz.

Cidade Universitária

Nos últimos dois anos, a oferta de vagas nas universidades públicas e particulares cresceu muito no município. Com novos cursos o mercado imobiliário precisou se adaptar a essa nova realidade e esbarrou mais uma vez na falta de construções adequadas para esse público.

“Desde outubro estamos recebendo muitos estudantes. Alguns que haviam garantido a sua vaga na universidade ou mesmo aqueles que queriam se preparar aqui na cidade. Como antes a gente não tinha essa necessidade, não existem esses imóveis. Os que estão prontos é raro permanecerem desocupados”, acrescenta.

Em resposta a procura, muitos construtores já estão iniciando obras voltadas para universitários. “Mas até estes ficarem prontos, teremos uma procura maior do que a oferta”, completa. A tradicional feira de imóveis realizada pelo setor no município está programada para acontecer no próximo mês.

 

fonte: http://www.tribunadointerior.com.br/economia/noticias/4334/?noticia=mercado-imobiliario-se-mantem-aquecido

Ana Carla Poliseli